Rota do Petisco 2021

3.ª BoCA Bienal 2021 arranca amanhã em Faro, Lisboa e Almada

A partir de amanhã, dia 3 de Setembro, e até a 17 de Outubro, na 3.ª edição da bienal vão desvendar-se novas criações encomendadas pela BoCA da autoria de Gus Van Sant, Grada Kilomba, Andreia Santana, Gabriel Ferrandini, Capicua ou Miles Greenberg, e estreias nacionais da autoria de Romeo Castellucci, Anne Imhof, LasTesis e Bruno Latour & Frédérique Aït-Touati, entre outros artistas, acontecimentos e intervenções imperdíveis.

Durante sete semanas, a BoCA estimula mudanças e reflexões através de uma programação artística que combina diferentes ritmos de projectos e de relações com artistas e instituições, apoiando-se numa transição de processos de produção e de criação, integrados, plurais e sustentáveis.

A performance que integra a primeira instalação de grande escala de Grada Kilomba, com a colaboração musical de Kalaf Epalanga, “O Barco/The Boat”, dará o ponto de partida para a edição de 2021 da BoCA, no maat - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (Praça do Carvão), no dia 3 de Setembro, às 18h (a performance repete-se em mais duas sessões, a 25 de Setembro e a 17 de Outubro). A obra da artista portuguesa baseada em Berlim estende-se por 32 metros, em frente ao rio Tejo, e consiste em 140 blocos que formam a silhueta do fundo de uma nau. “O Barco/The Boat” desenha minuciosamente a arqueologia de um barco e o espaço criado para acomodar os corpos de milhões de africanos, escravizados pelos impérios europeus. Até 17 de Outubro.

No campo das instalações, a BoCA oferece ainda novas criações de Andreia Santana, no CCB, com obras de vidro e ferro, acompanhadas por uma projeção de vídeo, e de Jonathan Uliel Saldanha, para o espaço vegetal (a Estufa Fria, em Lisboa), e as estreias nacionais das artistas visuais Anne Imhof, Agnieszka Polska e Anastasia Sosunova.

Prove You Are Human passa por desafiar os protagonistas da terceira edição da BoCA a ir além do seu território natural. Como a rapper Capicua, que se estreia na escrita para teatro, acompanhada na co-criação e interpretação de Tiago Barbosa. “A Tralha” é outro dos arranques da bienal, nos dias 3, 4 e 5 de Setembro, com encontro marcado no jardim do Museu de Lisboa / Palácio Pimenta. Outra resposta à “provocação” da BoCA é o espectáculo de teatro musical “Andy”, a primeira criação de palco do realizador de cinema Gus Van Sant. Inspirado na história de Andy Warhol, o cineasta reconstrói o passado do ícone norte-americano, responsável por elevar a cultura popular a estatuto de arte, em início de carreira, através de uma narrativa ficcional construída a partir de factos reais e de memórias, mas também da imaginação, e de um elenco composto por adolescentes e jovens atores portugueses. A estreia acontece dia 23 de Setembro no Teatro Nacional D. Maria II onde permanece em cena até dia 3 de Outubro. No dia 16 desse mês, é apresentado no Teatro das Figuras, em Faro.

Sobre a diversidade musical que é sublinhada neste regresso da BoCA, poder-se-á ver e ouvir a música cigana (combinada com a poesia de Camões e textos de Davi Kopenawa, dos Indígenas Yanomami) de António Poppe e La Família Gitana, o órgão do Santuário do Cristo Rei tocado por Sarah Davachi, a estreia da electrónica de vanguarda de Pan Daijing, o Rancho Folclórico da Casa do Minho em Lisboa e o Grupo Folclórico de Faro conduzidos pelos Papillons d’Éternité (Matthieu Ehrlacher & Tânia Carvalho), ou a primeira aventura de Gabriel Ferrandini, o curioso baterista português, sempre aberto a novas experiências artísticas, que compõe pela primeira vez para voz, numa parceria com o Coro Gulbenkian.

Na performance, o plantel é de luxo com a estreia nacional do colectivo feminista chileno LasTesis que, na Praça da Liberdade, em Almada, leva a cabo uma encenação colaborativa, com cerca de 70 mulheres e dissidentes locais, e que procura abordar a reinvindicação ao direito a uma vida livre de violência num contexto de colonização e extrativismo ativo. Também pela primeira vez em Portugal, a estreia mundial de uma performance duracional para oito performers de Miles Greenberg, “Water In a Heatwave”, e a conferência-performance do filósofo Bruno Latour e da socióloga Frédérique Aït-Touati, “Moving Earths”. Destaque ainda para a artista multidisciplinar portuguesa Odete, cuja nova criação é composta por um livro mágico, um videojogo e uma performance que se relacionam entre si.

Concebidos e pensados para o palco, a bienal apresenta o espectáculo que interroga e coloca um olhar crítico sobre a relação histórica entre Portugal e Brasil, através do encenador Tiago Cadete, a peça auto-biográfica e política que dialoga entre o concerto, a dança e a performance, de Joana Castro e Maurícia | Neves, e a peça da da atriz e encenadora Mónica Calle, que troca o palco pelo espaço público natural, entre a praia e as dunas da Caparica, pensado para levar os espectadores por percursos intimistas.

De forma a conjugar a programação artística aos espaços naturais, a bienal desenvolve também, ao longo de uma década, o projeto “A Defesa da Natureza”. No ano em que se celebra o centenário do nascimento de Joseph Beuys (1921-1986) e inspirada no seu projeto “7000 Carvalhos” (1982), a BoCA desenha a “Plantação de 7.000 Árvores” composta por diversas espécies autóctones com um modelo que envolve a colaboração de comunidades artísticas e académicas e as populações locais.

Entre a arte e a natureza, o projeto concebido pela BoCA promove ainda novas criações. A atividade “Quero ver as minhas montanhas”, com curadoria de Delfim Sardo e Sílvia Gomes, propõe aos artistas Sara Bichão, Diana Policarpo, Dayana Lucas, Gustavo Sumpta, Gustavo Ciríaco, Musa paradisiaca e ao coletivo Berru olhar o legado de Beuys, ao mesmo tempo que observam as suas próprias montanhas, ou o seu ‘eu’ interior, junto ao mar, ao rio ou num espaço verde, em Lisboa, Almada e Faro.

De 3 de setembro a 17 de outubro, Prove You Are Human é o desafio da 3ª BoCA - Bienal de Artes Contemporâneas.

Programação completa em www.bocabienal.org

 

Ademar Dias

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