Castro Marim: Pavipana é a nova marca que irá projetar os produtos do nordeste algarvio
Na presença do presidente da CCDR, José Apolinário, do vice-presidente do setor da agricultura, Fernando Severino, da presidente do Município de Castro Marim, Filomena Sintra, e da presidente da Junta de Freguesia de Odeleite, Rosário Sousa, a Cooperativa Guadimonte e a Universidade do Algarve apresentaram no sábado, dia 10 de outubro, no Centro de Dinamização das Cumeadas do Nordeste Algarvio localizado na Corte Pequena, a estratégia para o desenvolvimento da nova marca territorial que irá acompanhar desde a imagem gráfica, à rotulagem, à certificação e à distribuição, intitulada de Pavipana.
Este projeto inovador pretende valorizar os produtos autóctones, homenagear a resiliência das gentes locais e ainda combater a desertificação do território do interior do concelho de Castro Marim.
A iniciativa tem três grandes eixos de atuação como a valorização de recursos endógenos, o eco-design e a economia circular e ainda a inovação na comercialização e sustentabilidade.
Relativamente ao primeiro, será realizada uma análise físico-química e de controlo de qualidade e extensão do tempo de vida útil de seis produtos de excelência como o mel, a farinha de alfarroba, o queijo curado de cabra algarvia, o medronho fresco, o miolo de amêndoa e o figo passa.
Já sobre o eco-design e a economia circular, pretende-se desenvolver uma marca única e aglutinadora, intitulada “Passas do Algarve”, privilegiando matérias-primas naturais da região como a cana, a cortiça ou a palma, combinadas com as artes e ofícios do artesanato local.
O nome da marca é uma homenagem cultural à expressão popular que reflete a forma historicamente difícil de como os produtos locais eram colhidos, tratados e armazenados na serra algarvia, simbolizando também o suor e sofrimento ancestral que eram necessários para criar produtos únicos e de qualidade reconhecida.
Sobre a inovação na comercialização e sustentabilidade existe o objetivo de criar uma plataforma de venda online, gerida pela Cooperativa Guadimonte, além de desenvolver cadernos técnicos de boas práticas para certificas as produções como agricultura sustentável, calculando a pegada de carbono e energética.
Aproveitando a ocasião, a presidente do Município de Castro Marim solicitou uma nova abordagem à delimitação daquilo que são os perímetros urbanos e à importância de uma reinterpretação daquilo que é a lei dos solos, especialmente nestes territórios rurais.
Se, por um lado, a Corte Pequena não permite a aglutinação de todas as áreas construídas como aglomerado urbano, também não permite nas suas envolventes a construção de armazéns agrícolas ou uma pequena destilaria, porque está delimitado pelo perímetro de rega da barragem da Corte Pequena.
Ou seja, é um paradoxo entre aquilo que é o mundo rural, a proteção do mesmo e o impedimento do desenvolvimento de novas indústrias e atividades associadas a esta área.
Filomena Sintra deixa um apelo a José Apolinário, a quem agradece a presença permanente no território, para que se possam fazer reuniões com as equipas técnicas da própria CCDR na zona, e aí sim localmente desamarrados dos algoritmos e dos sistemas informáticos possa falar do ordenamento e planeamento.
O projeto Pavipana é apoiado pelo Algarve 2030, pelo Portugal 2030 e pela União Europeia.
Créditos da imagem: Click Time Photo
Ademar Dias




