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Castro Marim: novo projeto de biotecnologia aplicada pretende valorizar a salicultura tradicional

Um novo projeto de biotecnologia aplicada que pretende valorizar a salicultura tradicional de Castro Marim foi apresentado a 16 de julho, na sede da Associação para a Valorização do Salgado de Castro Marim, numa reunião onde foram discutidos os progressos e as prioridades.

Esta iniciativa tem como objetivo incrementar a produção de sal marinho e de flor de sal nas salinas tradicionais de Castro Marim, através da biotecnologia, monitoramento ambiental e da inovação, desenvolvendo atividades estratégicas com base no conhecimento dos produtores, com o apoio dos investigadores do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve.

Intitulado de SAL+, o projeto centra-se na caracterização dos sistemas de produção, na melhoria da qualidade e da segurança do sal e na criação de novas oportunidades de agregação de valor, promovendo uma abordagem sustentável para o seu desenvolvimento.

Entre as atividades previstas estão demonstrações da elevada qualidade e carácter único do sal de Castro Marim, medidas de valorização da vertente ecológica das salinas e a utilização da biotecnologia para a inovação através da bioprospecção de recursos da microbiota endémica que vive nas salinas do território.

Ao mesmo tempo estão planeadas outras atividades de comunicação, educação e inovação, com o objetivo de alavancar a projeção da salinicultura de Castro Marim a nível regional, nacional e internacional.

Atualmente encontra-se a decorrer uma intensa campanha de amostragem, através da recolha de água e de sedimentos dos cristalizadores, a cargo da equipa do Centro de Ciências do Mar, composta por dois estudantes de doutoramento e quatro de mestrado, cujos resultados têm comprovado uma excelente condição das salinas, quer a nível da qualidade da água, quer a nível da microbiologia.

Estes resultados têm revelado características únicas e singulares das salinas de Castro Marim, com a descoberta de várias espécies novas de microrganismos como fungos e bactérias, resistentes ao sal e com um potencial biotecnológico, que foram isoladas pela equipa do Centro de Ciências do Mar para explorar as suas potenciais aplicações a nível industrial e ambiental.

Todos os resultados científicos serão apresentados em breve na Conferência Internacional das Sociedades de Microbiologia, em Lisboa, em novembro deste ano.

O projeto SAL+ é cofinanciado pelo programa PROMOVE da fundação La Caixa com o apoio da FCT e pela Câmara Municipal de Castro Marim. É liderado pelo Centro de Ciências do Mar e tem como parceiros a Associação para a Valorização do Sal de Castro Marim e a Câmara Municipal de Castro Marim.

 

Créditos da imagem: CM Castro Marim

 

Ademar Dias

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