Museu Municipal de Faro expõe coleção de Miguel Duarte
Uma exposição de arte portuguesa proveniente da coleção particular de Miguel Duarte será inaugurada, no próximo dia 7 de março, sábado, pelas 16h00, no Museu Municipal de Faro (MMF). A mostra integra-se nas comemorações do 132.º aniversário do Museu e constitui um dos momentos altos da programação festiva.
Pela primeira vez apresentado neste espaço, o conjunto expositivo reúne cerca de sete dezenas de obras, maioritariamente da coleção de Miguel Duarte, médico algarvio que, ao longo de vários anos, reuniu um relevante acervo artístico. A estas peças juntam-se outras, da coleção de Hugo Batalha, estabelecendo um diálogo artístico e patrimonial entre dois colecionadores e amigos, unidos pelo interesse comum pela cultura.
Com curadoria de Raquel Henriques da Silva, uma das mais prestigiadas historiadoras de arte nacionais, a exposição organiza-se em vários núcleos que atravessam diferentes períodos da história da arte portuguesa dos séculos XIX e XX.
O percurso inicia-se no Romantismo e no Naturalismo, evidenciando características como a representação de paisagens, arquiteturas e figuras humanas, frequentemente pintadas ao ar livre e posteriormente trabalhadas em atelier. Neste núcleo marcam presença destacados artistas ligados aos Grupos do Leão e do Ar Livre, entre os quais Silva Porto, Marques de Oliveira, Aurélia de Souza, João Vaz, José Malhoa e Carlos Reis, bem como discípulos como Alves Cardoso, António Saúde, João Reis, Frederico Ayres e Falcão Trigoso. Presentes, ainda, obras de Souza Pinto, Ernesto Condeixa e António Ramalho.
Destaque particular é dado a Mário Augusto, conhecido como o “Mestre das Alhadas”, representado por um núcleo significativo a nível nacional, com interessantes paisagens de temática rural. A exposição inclui ainda um inédito autorretrato realizado pelo artista aos nove anos de idade.
No núcleo modernista, o público poderá apreciar retratos, paisagens, caricaturas — representativas do Humorismo — e composições que revelam novas linguagens e abordagens estéticas, marcando a rutura com o Naturalismo e afirmando um território de experimentação e originalidade. Entre os nomes incontornáveis figuram Almada Negreiros, António Soares, Jorge Barradas, Júlio (dos Reis Pereira), Bernardo Marques e Júlio Santos. A este conjunto junta-se, da coleção de Hugo Batalha, a obra Notre Dame à la Colombe, de Francis Smith, evocativa de cerimónias religiosas lisboetas.
O núcleo neorrealista apresenta obras de artistas como Manuel Ribeiro Pavia e Avelino Cunhal, incluindo ainda uma peça inédita de Júlio Pomar, realizada aos 15 anos. Esta obra encontrava-se apenas referenciada numa fotografia de trabalhos de antigos alunos da Escola António Arroio, constante no catálogo raisonné do artista.
Já no núcleo dedicado ao Surrealismo, a exposição integra obras de Cândido Costa Pinto e Cruzeiro Seixas, explorando as dimensões estéticas e narrativas associadas a este movimento. O percurso expositivo inclui ainda uma obra de Bengt Lindström, da sua fase parisiense, marcada pela influência de André Lhote e Fernand Léger, no final da década de 1940, revelando características assumidamente cubistas.
Patente até 20 de setembro, esta mostra reafirma o compromisso do Museu Municipal de Faro com a valorização das coleções privadas enquanto importantes testemunhos do potencial destes acervos para o estudo, o conhecimento e a salvaguarda do património artístico nacional.
Para mais informações, poder-se-á contactar o Museu Municipal de Faro (email: museu.municipal@cm-faro.pt).
Ademar Dias






