Jovens portugueses pesquisam online mas continuam a gostar de ir às lojas fazer compras

Oitenta por cento dos millennials já pesquisam online antes de fazer compras, mas segundo o estudo do Observador Cetelem os jovens adultos continuam a preferir as lojas físicas ao comércio online.

Os jovens portugueses destacam-se entre os millennials da amostra que inclui 17 países europeus e que estudou os hábitos de consumo dos consumidores com idades entre os 18 e os 34 anos. Segundo os dados do estudo Observador Cetelem, é em Portugal que os jovens continuam mais agarrados às compras nas lojas físicas, embora estejam entre os que interagem mais com os retalhistas nas redes sociais, vendo vídeos e colocando questões no Facebook, Instagram e Snapchat.

Estudos anteriores do Observador Cetelem já confirmavam esta tendência para o crescimento da pesquisa e comparação de produtos online, assim como para a utilização de promoções para realizar as compras.

Portugal continua a estar abaixo da média europeia para as compras online, mas os dados da Associação da Economia Digital, ACEPI, indicam que os portugueses já gastam 4,6 mil milhões de euros em compras online e 36% da população portuguesa já usa o ecommerce, embora cerca de metade dos consumidores optem por comprar fora do país.

"Apesar do contexto digital e do crescimento do comércio online, que tem vindo a desafiar os modelos de distribuição tradicionais, os millennials portugueses surpreendem enquanto consumidores quando afirmam que gostam e lhes dá prazer fazer compras e que continuam a preferir as lojas físicas ao comércio online", referem os autores do estudo.

De acordo com os dados do estudo, que analisou as respostas de 17.200 pessoas com idades entre os 18 e os 75 anos em 17 países europeus, a importância do contacto físico é referida por 86% dos consumidores portugueses que afirmam gostar de ver e tocar nos produtos antes de fazer uma compra, e que preferem sair da loja com os produtos já na mão. São também indicados obstáculos que impedem a maior utilização de compras, nomeadamente os tempos de espera para pagar.

Entre os dados estudados está também a indicação de que os jovens adultos portugueses são os que revelam alguma contenção nos gastos que fazem. 84% dos inquiridos revelam que é importante limitar os gastos ao que é “essencial” e 80% dizem que, em vez de gastar o dinheiro, o colocam de parte para algo “realmente útil”. Estes dados estão acima da média europeia nos dois indicadores, que se fixa nos 76% e 73%, respetivamente.

Para 80% dos jovens adultos portugueses, poupar faz parte parte dos planos para 2018. Também são os que menos recorrem a créditos bancários: 71% dizem que não estão a pagar nenhum crédito atualmente. E os que menos afirmam recorrer ao saldo negativo da conta bancária. Além disso, 81% dizem-se otimistas em relação ao futuro.

O que compram os jovens portugueses online?

Dados revelados pela Marktest em março indicavam que as área de eletrónica e tecnologia, seguidos de férias e passagens aéreas, estavam entre as preferências dos portugueses para compras online, mas o estudo da Cetelem aponta os produtos culturais, roupa e sapatos. Os alimentos e a mobília são os produtos que os millennials portugueses mais compram em lojas físicas e curiosamente é mesmo a comida que fica no final da lista de preferências de aquisições através da internet.

O consumo colaborativo é visto como positivo por 84% dos millennials portugueses, que mesmo assim são os que menos reportam a utilização de aplicações de partilha de boleias. Mas mais de metade já afirma que reparam objetos estragados em vez de os substituir por novos e que compram diretamente aos produtores. A compra e venda de objectos usados também é comum entre os mais jovens.

Os produtos que os portugueses mais consideram alugar em vez de comprar são, à semelhança dos outros jovens europeus, os equipamentos de jardinagem. Os eletrodomésticos e os produtos tecnológicos são aqueles em que há menos tendência para a partilha.

O interesse em continuar a comprar em lojas físicas é evidente neste estudo e os jovens portugueses revelam alguma preocupação sobre a sua manutenção, nomeadamente quanto ao desaparecimento gradual das lojas de bairro.

A maioria dos jovens consumidores portugueses acreditam que, nos próximos dez anos, as lojas físicas vão alterar-se significativamente e apostam na mudança nos métodos de pagamento, na forma como fazem anúncios e nos serviços que oferecem.

Entre as perspetivas pra o futuro acreditam que vai ser possível fazer compras em realidade virtual, como se estivessem numa loja. Quando questionados sobre tendências de futuro defendem ainda que no espaço de uma década, as impressoras 3D vão permitir que todos os tipos de produtos sejam feitos em casa, que as lojas saberão a identidade dos consumidores e poderão enviar ofertas personalizadas.

 

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